segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dona Morte no retrovisor

Dona Morte no retrovisor

Não importa com quem estejamos
O ambiente não faz a diferença
O dinheiro é insignificante
A beleza e a feiúra estão no mesmo nível
Tanto faz
(a validade tem prazo)

Somos alimentos amontoados na geladeira
Que um dia acabam por apodrecer
Alguns na gaveta de frutas
Outros no congelador
Não há tempo que não passe
Ou que retroceda
(a validade tem prazo)

O trabalho não tem significado
Tampouco o ócio do vagabundo
Que não trabalha nunca
Não tem importância nenhuma
(a validade tem prazo)

Somos bananas
Maçãs, carnes e ovos
E pizzas amanhecidas
Mas não tem jeito
Viver é morrer
Um pouco a cada dia
(a validade tem prazo)

O refrigeramento do nosso cotidiano
Uma hora vai pros quiabo
E todos
Juntos
Debaixo da terra estaremos
(a validade tem prazo)

E deixaremos nosso legado
Para o adubo
Para o fungo e para as plantas
Urubus e hienas
(a validade tem prazo)

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