segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Bola de neve às avessas

Bola de neve às avessas

A marca das mãos na maçaneta da porta
Já se nota
Que muitas vezes já fora torcida
Puxada e empurrada
No asfalto preto
Por onde rodam as rodas
De carros e caminhões
Um rio seco se forma
O longo caminho das formiguinhas
Mais leves do que pluma
Pesam quase nada
De tanto buscar comida
Cavam uma imensa estrada
sobre a grama verde
Coitada
No mapa do posto de gasolina
Situado às margens da rodovia
Bem na cidade de Agulha
De tantos dedos indicaram o município gravado
Esse já se foi
Pelo menos no mapa
Desapareceu
O ponto negro que marcava seu registro
Agora se parece com um vulcão
incrustado no papelão
Assim é que funciona a vida
Nossas relações
(por menores que sejam)
E as nossas intenções
Deixam marcas
Deixam um pouco de si
Levam um pouco de cada
Em todo lugar
Assim como
Uma bola de neve ao contrário

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